domingo, 20 de outubro de 2013

BODY WITHOUT SOUL

Tělo bez duše
Realizador: Wiktor Grodecki
Ano:  1996
Pais: Czechoslovakia
Duração: 94 min
Documentário

Um filme de difícil digestão de origem Checa que nunca chegou a ser editado em português. Body Without Soul é um documentário de 1994 sobre jovens rapazes prostitutos da cidade de Praga e que ganham a vida dessa forma. O realizador do documentário, Wiktor Grodecki, entrevista rapazes entre as idades de 14 a 17 anos para indagar sobre as suas vidas particulares e como foram recrutados para o negócio da prostituição. 

O filme também explora as esperanças e receios dos jovens rapazes. Falam-nos dos seus corpos e da alma, dinheiro, da sua orientação sexual, HIV, dos seus sonhos e morte.

Um impressionante documentário que sem receios aborda uma realidade que se esconde por detrás do turismo de Praga. Sem dúvida um documentário que deixou-me transtornado. Trago-vos dois trailers que permitem perceber por inteiro o documentário para quem não queira ver as imagens mais avassaladoras. 

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

FABULOUS! - The Story of Queer Cinema

Fabulous! 
Ano: 2006
Pais: EUA
Duração: 123 min
Documentário

Durante a maior parte do século passado, imagens de gays e lésbicas da cultura americana eram muito limitadas, estereotipadas e/ou tabu. Hoje em dia as imagens gay estão por todo o lado. Este documentário persegue a emergência do cinema gay, desde os filmes "avant-garde" das décadas de 40 e 50, passando pelos que falavam da SIDA na década de 80, pelo "New Queer Cinema" da década de 90 e chegando até aos mais recentes realizadores da atualidade.
Reflexivo e bem-humorado, esse filme faz uma retrospectiva sobre a temática homossexual no cinema (principalmente independente) norte-americano e sobre como, ao longo de seis décadas, o tema foi se liberando no cinema. 
Desde o início, quando o assunto era mostrado como algo proibido ou uma doença, até os dias de hoje, sendo aceito e premiado. Através de trechos de filmes, este documentário acompanha então seis décadas do cinema gay nos EUA. De "Os Pervertidos" a "O Segredo de Brokeback Mountain", o filme mostra como a homossexualidade era proibida nas telas, o efeito da liberação e a importância deste mercado.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

FILADÉLFIA

PHILADELPHIA
Realizador: Jonathan Demme
Ano: 1993
Pais: EUA
Duração: 125 min

O filme que para muitos da geração dos anos 70 e início dos anos 80 representou o primeiro contacto com o cinema gay na televisão. Philadelphia (Filadélfia em português), filme dirigido por Jonathan Demme, conta a história de um advogado contratado escritório de advocacia de grande prestígio, mas que é demitido após não ter mais como esconder que é um homem homossexual e portador do vírus HIV com o aparecimento dos primeiros sintomas da doença. Enquanto sofre a evolução da AIDS em seu corpo, o advogado luta pela sua dignidade e contra o preconceito ao processar a firma buscando provar que foi demitido exclusivamente por ser gay e portador do vírus letal.

Com a magistral actuação de Tom Hanks como personagem principal, o filme mostra de forma tocante o drama vivido pelos homossexuais portadores do HIV não somente do ponto de vista do estigma social sofrido, mas também em relação à própria convivência com uma doença devastadora para o organismo humano e sem cura. Salientando-se ainda que na época o único tratamento existente era o coquetel de medicamentos AZT que reduzia a multiplicação do vírus no organismo humano, mas não tinha a eficácia dos tratamentos mais actuais.

Deixo-vos um trailer onde é possível ouvir de fundo Maria Callas numa das minhas músicas preferidas, que aliás dá nome a um dos filmes de Paolo Pasolini, apesar da música principal do filme ser precisamente "Philadelphia" de Bruce Springsteen.



segunda-feira, 7 de outubro de 2013

A RAÍZ DO CORAÇÃO

A RAÍZ DO CORAÇÃO
Realizador: Paulo Rocha
Ano: 2000
Pais: Portugal
Duração: 113 min
Apenas em VHS
(posso emprestar)
  
“Lisboa no futuro ano de 2010, as suas colinas iluminadas pelas luzes das Festas de Santo António, patrono dos namorados e da cidade velha. Catão, um politico nacionalista, carismático e sem escrúpulos, persegue obcecadamente Silva, um jovem travesti algo místico. Certa noite, entretanto Sílvia cruza-se com Vicente, dito “o Corvo”, policia perseguidor de travestis que, disfarçados de Noivas de Santo António, atacam a cidade de Lisboa.”

Paulo Rocha dedicou "A Raiz do Coração" aos realizadores Jean Renoir e Federico Fellini, sendo também uma homenagem à cidade de Lisboa. Depois de "O Rio do Ouro" (1998), filmado no Norte do país, Lisboa é agora a personagem principal. Em tom de fábula urbana, o filme, que decorre em 2010, mostra uma cidade futurista, mágica e colorida, virada para o futuro mas ao mesmo tempo enraizada no passado. Lisboa das marchas populares, das noites quentes de Verão, do Castelo de São Jorge, dos miradouros e da Expo 98.

"A Raiz do Coração" é, além disso, uma sátira sobre o poder, onde os corvos representam a má-língua do povo da cidade. Uma noite, durante as festas de Santo António, um grupo de travestis - trajados de noivas virginais -,decide descer à rua para participar nas marchas da cidade, parodiando a moral e os bons costumes. Um dos travestis, uma noiva de máscara negra, começa a gritar, desafiando um homem a arrancar-lhe a raiz do coração. Uns minutos depois, um falso Santo António apela aos valores antigos e à cidade dos velhos tempos. Luís Miguel Cintra ("Palavra e Utopia") desempenha quatro papéis: o do falso Santo António, o do verdadeiro Santo António, o de um travesti negro e a personagem de Catão, um homem carismático e sem escrúpulos, candidato à presidência da Câmara de Lisboa por um partido de extrema-direita. Catão é obcecado por Sílvia, que nasceu Silvio.

Um dos mais abismais filmes de todo o cinema português. O rigor formal, a beleza dos planos-sequência, a formidável elegância de um cineasta que se expõe e ergue um filme desarmante. 

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

LUIS II DA BAVIERA

LUDWIG II 
Realizador: Luchino Visconti
Ano: 1972
Pais: Itália
Duração: 235 min

Ludwig, um épico deslumbrante sobre o lendário "rei louco" da Baviera, que entrou para a história por construir os castelos mais lindos da Europa, e como o mecenas do compositor Richard Wagner. No elenco, grandes interpretações de Helmut Berger e Romy Schneider, revivendo o papel de Sissi. 

Como se "O Leopardo" e "Morte em Veneza" não bastassem para imortalizá-lo, Visconti quis fazer um grande épico, um longo filme histórico onde pudesse exagerar no guarda-roupa, nos cenários, nos actores. O filme retrata o reinado de Luís II desde a coroação até ao suicídio do rei, um dia após ter sido deposto. Berger dá vida ao sonho e à loucura. Ao longo das quase 4 horas que o filme dura, vemos Ludwig transformar-se, vemo-lo esbanjar dinheiro nas óperas de Wagner, alhear-se dos assuntos de Estado e mergulhar nos megalómanos projectos para a construção dos seus famosos castelos.

Ludwig vive num sonho em permanência? Persegue ele uma verdade invisível? A loucura instala-se. Ludwig isola-se. Ei-lo em Neuschwanstein, onde as festas que são quase orgias! Ele é o rei. Se-lo-á até ao fim, porque não poderá existir para além disso. Quando Luitpold aceita ser príncipe-regente e Ludwig é deposto já pouco há a fazer. O destino é a morte.

A 13 de Junho de 1886 Ludwig afoga-se no lago Starnberg, perto de Munique, na companhia do seu psiquiatra. O filme foi também uma espécie de fim para Visconti. Pouco tempo após as filmagens de Ludwig terminarem sofreu um grave acidente vascular cerebral que o deixou parcialmente paralisado. O fim estava próximo. Ludwig foi para ele um filme doloroso. Como se quisesse o próprio Visconti entender o enigma desse rei invadido pela loucura e incompreendido por todos. Ludwig não poderia existir sem o trono. Ludwig existia para ser rei de um país inventado, nos seus castelos de sonho, preenchidos por música e poesia, por delírios e fantasias. Ludwig não era deste mundo e isso não é difícil de perceber.

Visceralmente misógino, Ludwig resistiu a todos os projectos de casamento que lhe foram apresentados, apenas aceitando o noivado com sua prima a princesa Sophie (Duquesa na Baviera) e irmã mais nova da imperatriz Elisabeth (Sissi), mulher de Francisco José. Os esponsais foram sucessivamente adiados, até que Ludwig decidiu cancelar o casamento pouco tempo antes da data prevista para a sua realização. Sendo homossexual mas também católico devoto, presume-se que na sua adolescência o rei se tenha satisfeito com o convívio (social) de jovens, especialmente das classes populares, só tendo passado a vias de facto numa idade já adulta.

nota: alguns excertos são  de Gonçalo Figueiredo Augusto. 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

ANGELIC CONVERSATION


Realizador: Derek Jarman
Ano: 1985
Pais: UK
Duração: 78 min


Mais um filme de Dereck Jarman. Williamson e Reynolds são dois jovens em busca do amor. Caminhando por um cenário onírico numa velha mansão elizabetana no interior da Inglaterra, os dois se atraem e se repelem em diversas situações afectivas. Olham-se em espelhos, lutam, fazem amor, ouvem a batida do relógio marcar a passagem do tempo. Do lado de fora da mansão, passeiam por jardins, por uma praia rochosa, banham-se num rio, colhem flores. Todas suas acções são pontuadas por uma doce voz feminina, que recita catorze dos sonetos mais famosos de William Shakespeare. Versando sobre o amor, eles intuem uma forte carga homo-erótica.

Dereck, foi pintor, cineasta, cenógrafo, escritor e jardineiro. Ele se envolveu com o cinema através do trabalho como cenógrafo, primeiro no palco (no Royal Ballet e no Coliseum) e depois em produções de Ken Russel para o cinema. Em 1970, começou a filmar seus próprios filmes em super 8, mas só lançou seu primeiro filme em 1975, Sebastiane. A lenta e dolorosa gestação de seus projectos futuros contrasta com sua imagem como improvisador, apesar de tal característica ser evocada, mesmo que relativamente, em filmes como Angelic Conversation, The Last of England The Garden.

Os temas recorrentes de sua obra são o processo criativo e o papel do artista como catalisador de impulsos “proibidos”; a miséria num país impregnado pelo individualismo; o questionamento de qualquer moral absoluta, assim como o poder perverso da mídia de massa; a reinterpretação de mitos históricos; a desconstrução do cenário ao seu redor, e logicamente, o pensamento homossexual, expresso principalmente nas figuras históricas que representava, como Caravaggio, Sebastiane Edward II.

Morre em 1994, em consequência de complicações decorrentes da AIDS, logo ao completar os filmes Blue, um filme monocromático sem imagens, e Glitterbug, uma montagem de seus vários filmes feitos em super 8.

Angelic Conversation é mais um dos difíceis filmes de Jarman.


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

MADAME SATÃ

Realizador: Karim Ainouz
Ano:2002
País:Brasil
Duração:105 min 

João Francisco dos Santos (Glória do Goitá, 25 de fevereiro de 1900 — Rio de Janeiro, 11 de abril de 1976), mais conhecido como Madame Satã, foi um transformista brasileiro, visto como personagem emblemático da vida noturna e marginal carioca na primeira metade do século XX. Criado numa família de dezessete irmãos, diz-se que João Francisco chegou a ser trocado, quando criança, por uma égua. Jovem, foi para Recife, onde viveu de pequenos serviços prestados. Posteriormente, mudou-se para o Rio, indo morar no bairro da Lapa. Analfabeto, o melhor emprego que conseguiu foi o de carregador de marmitas, embora houvesse o boato de que foi cozinheiro de mão-cheia. Considerado marginalizado, acredita-se que o fato de ter sido negro, pobre e homossexual tenha contribuído.

Dito dotado de uma índole irônica e extrovertida, Santos encantou-se pelo carnaval carioca. Foi assim que, em 1942, ao desfilar no bloco-de-rua Caçador de Veados, surgiu seu apelido. O transformista se apresentou com a fantasia Madame Satã, inspirada em filme homônimo de Cecil B. DeMille.
Era freqüentador assíduo do bairro onde morava (conhecido como reduto carioca da malandragem e boemia na década de 1930), onde muitas vezes trabalhou como segurança de casas noturnas. Cuidava que as meretrizes não fossem vítimas de estupro ou agressão.
Foi preso várias vezes, chegando a ficar confinado ao presídio da Ilha Grande, agora em ruínas. Freqüentemente, Madame Satã enfrentava a polícia, sendo detido por desacato à autoridade. Considerado exímio capoeirista, lutou por diversas vezes contra mais de um policial, geralmente em resposta a insultos que tivessem como alvo mendigos, prostitutas, travestis e negros.
É considerado uma referência na cultura marginal urbana do século XX.
Em 1971, concedeu uma polêmica entrevista ao jornal O Pasquim.
Faleceu logo após a sua última saída da prisão, em abril de 1976 em sua casa, hoje um camping.
No ano de 2002, foi rodado no Brasil um filme sobre sua vida, que leva também o nome de Madame Satã, premiados nacional e internacionalmente. Nesse filme, João Francisco dos Santos foi interpretado pelo ator Lázaro Ramos.

domingo, 29 de setembro de 2013

THE BIG GAY MUSICAL


Realizador:  C.AndreasF. M. Caruso
Ano:2009
País:USA
Duração:91 min

The Big Gay Musical is a 2009 gay-themed musical-comedy film written by Fred M. Caruso and co-directed by Caruso and Casper Andreas. The film follows a brief period in the lives of two young actors, one who is openly gay, the other closeted to his parents. The openly gay actor struggles with whether he should be sexually promiscuous or seek a life partner, while the closeted one wonders if he should come out to his conservative, religious parents.

Throughout the film, there are a series of musical numbers with tap dancing angels, a re-telling of the Genesis story, protests from televangelists, a deprogramming camp that tries to turn gay kids straight. By the end of the film, the characters realize that life would be better if they just accepted themselves the way they are. 

The directors chose to cast openly gay Broadway actors for all the film's key roles. (http://en.wikipedia.org/wiki/The_Big_Gay_Musical)

Some songs:  

sábado, 28 de setembro de 2013

UM HOMEM SINGULAR

A SINGLE MAN
Realizador: Tom Ford
Ano: 2009
Pais: EUA
Duração: 99 min

“A Single Man”  é um filme americano de 2009, baseado no livro homônimo de Christopher Isherwood, que marca a estreia do estilista Tom Ford como director. No elenco estrelam a indicada ao Oscar Julianne Moore e o actor britânico Colin Firth, que conseguiu sua primeira indicação ao Óscar em 2010 na categoria "melhor actor", por sua performance nesse filme, assim como o jovem  Nicholas Hoult. 

George Falconer é um professor universitário de 52 anos, a tentar encontrar de novo um sentido para a vida, depois da morte do seu companheiro de sempre, Jim. George mergulha no passado e não consegue imaginar o seu futuro, quando o acompanhamos durante um único dia, onde uma série de encontros e acontecimentos o levam a decidir se afinal haverá ou não sentido para a vida depois de Jim. George é consolado pela sua amiga chegada Charley, uma beldade de 48 anos, também ela a lutar com as suas próprias questões acerca do futuro. E um jovem estudante de George, Kenny, que se está a aceitar como ele é, persegue George, vendo nele uma alma gémea.

O filme expõe um dia, precisamente 30 de novembro de 1962, um mês após a Crise dos mísseis de Cuba, na vida de George Falconer. Descobrirá ele os ecos do passado no presente e irá vislumbrar versões alternativas do futuro - incluindo a forte possibilidade de nenhum futuro para si mesmo?

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

ATRÁS DO CANDELABRO


BEHIND THE CANDELABRA
Realizador: Steven Soderbergh
Pais: EUA
Duração: 118 m

O anunciado projecto, para a HBO, de Steven Soderbergh sobre o entertainer Liberace foi O filme “Behind the Candelabra” (Atrás do Candelabro, em tradução livre), considerado “demasiado gay” pelos estúdios de Hollywood, dirigido por Steven Soderbergh, com Michael Douglas no papel principal, foi um dos grandes vencedores do Emmy, principal prêmio da TV americana. A obra sobre a vida do pianista Liberace levou as estatuetas de melhor filme, actor e director. Um retrato íntimo de Liberace como nunca até hoje mostrado.

Nascido a 16 de Maio de 1919, Wladziu Valentino Liberace (Michael Douglas) foi um pianista prodigioso que se tornou um ícone da América dos anos 1960/70, com os seus espectáculos extravagantes e inusitados, onde misturava o virtuosismo do piano clássico com as músicas populares da época. Neste filme, é contada a tempestuosa relação com o jovem Scott Thorson (Matt Damon), seu secretário e amante desde 1977, cuja relação terminou num escândalo público, depois de seis anos de intensa cumplicidade. Em 1987, pouco antes de morrer, Liberace faz um último telefonema ao ex-amante, com quem, finalmente, encontra forma de se reconciliar. Com argumento de Richard LaGravenese e realização de Steven Soderbergh, um drama biográfico que se inspira no livro de memórias do próprio Scott Thorson, "Behind the Candelabra: My Life with Liberace", onde é descrita a sua vida com o músico. (excerto de Luís Veríssimo).


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

EU MATEI A MINHA MÃE

J'AI TUÉ MA MÈRE
(I Killed My Mother)
Realizador: Xavier Dola
Ano: 2009
Pais: Canada
Duração: 96 m

"J'ai tué ma mère" é um filme biográfico escrito e dirigido pelo jovem Xavier Dolan nascido em 1989. Retracta a complexidade do vínculo mãe e filho. O filme atraiu a atenção da imprensa internacional quando ganhou três prémios em Cannes em 2009. Depois da exibição, o filme recebeu uma ovação de pé de oito minutos. Foi exibido em 12 cinemas no Quebec e em 60 salas em França.

Hubert Minel ( o próprio Xavier Dolan), jovem de Montreal de 16 anos, tem uma relação difícil com a mãe,  a qual implica com os seus gostos,  personalidade e a sua ignorância. Entretanto, saudoso de uma infância feliz, Hubert, tenta reconciliar-se com a mãe, inspirado pelo discurso filosófico do seu namorado Antonin (François Arnaud), e pelos conselhos de Julie (Suzanne Clément), sua professora. No entanto, as iniciativas confirmam o abismo que separa o adolescente da sua mãe. 

Aparentemente pelo título parece aproximar-se do filme "Ma mère"um drama francês de 2004, realizado e escrito por Christophe Honoré, inspirado no romance homónimo de Georges Bataille, inacabado pelo autor e publicado postumamente, mas são histórias bastante diferentes.

"O que o torna este filme extraordinário é a sua profundidade de sentimento e a idade de Dolan que o torna ainda mais impressionante: tinha apenas 19 anos quando o realizou."

quarta-feira, 13 de julho de 2011

PARA UM SOLDADO PERDIDO

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  • VOOR EEN VERLOREN SOLDAAT
  • Realizador: Roeland Kerbosch
  • Ano: 1992
  • Pais: Holanda
  • Duração: 92 m

For a Lost Soldier” é mais do que uma simples história aparentemente pedófila, e se reconhecida como tal,  poderemos então indubitávelmente, dizer tratar-se de uma verdadeira história pedófila, porquanto, é fruto das recordações que uma criança conservou durante toda a sua vida e que mais tarde levou-a a escrever um livro. É natural que quem tenha visto ou conheça o filme pense tratar-se apenas disso, um argumento, contudo esconde mais que isso: encobre uma história, a de Rudi van Dantzig, bailarino e coreógrafo de Ballet, o qual escreveu, a pedido, três peças para aquele que considero o maior bailarino de sempre, Rudolf Nureyev.

Além da sua carreira como coreógrafo, desenvolveu uma vertente literária e fez sua estreia em 1986 com o romance autobiográfico que deu origem ao filme agora apresentado. O livro foi filmado e traduzido em Inglês e Alemão, tendo sido na Holanda reimpresso dezasseis vezes, após o qual escreveu um livro com as suas memórias de Nureyev e mais uns tantos contos e romances.

Se é verdade que o relacionamento entre duas pessoas com considerável diferença etária é visto como um desvio comportamental sexual ou social, quando envolve um menor tende mesmo a ser encarada como pecaminosa, senão mesmo como criminosa, ou onde o factor “amor” é completamente expurgado como motivador dessa mesma relação. Talvez este filme, autobiográfico, mostre o outro lado que esquecemos ser possível e que os tabus teimam em não aceitar. Poderemos ser lavados a pensar até que ponto pode essa relação ter influenciado a vida do autor e se a ausência desse momento na sua infância poderia tê-lo levado a uma vida diferente, mas seja como for, é o próprio aceitar o quanto esse episódio foi importante para a sua vida, começando o filme precisamente, em jeito de flashback, com Rudi Dantzig (Jeroen no filme) a recordar com nostalgia esse passado com bastante ternura, o que aliás se reflecte na forma como descreve os acontecimentos, procurando nessas mesmas recordações ultrapassar uma crise de inspiração como coreógrafo.

E se me prolonguei nesta história que se esconde por detrás do filme é porque não é de somenos importância para o entendimento ou mesmo enriquecimento do filme, visto ser aquela história que poucos chegam a conhecer.

È um filme que se recusa a carregar para a história uma bagagem psicológica e social contemporânea escusando-se a qualquer menção depreciativa da homossexualidade, limitando-se a demonstrar que o amor pode ser um misterioso designo tão puro quanto aquele que encontramos no Du Er Ikke Alene (ver noutro post este filme), um outro filme que enfrentou fortes censuras e proibições em lugares mais conservadores, e em Portugal, obviamente, jamais exibido.  Possívelmente o filme sobejamente mais conhecido que retrate uma relação entre um adulto e uma criança seja o “Morte em Veneza” mas nada ou pouco terá em comum com este e muito menos com o livro de Thomas Mann que inspirou este último filme referido.

Por fim resta dizer que a história do filme (e do livro), lembrada através dos olhos do jovem Jeroen (Maarten Smit), um jovem introspectivo loiro de 13 anos, passa-se no final da 2ª Guerra Mundial, sendo Jeroen enviado pela sua mãe para uma quinta no interior dirigida por um homem austero e religioso. Com a chegada dos aliados ao país, Jeroen desenvolve uma amizade íntima e intensa com o soldado canadense Walt. Surge então entre os dois uma relação afectuosa e íntima além do imaginado, servindo de palco este cenário para o desenrolar da descoberta da sua própria sexualidade e aprendizagem sobre o amor de uma forma inusual.

Deixo-vos aqui o trailer que considero mais bem conseguido do filme, assim como a possibilidade de o obterem pela internet.

TRAILER

DOWNLOAD MOVIE

terça-feira, 12 de julho de 2011

ORAÇÕES PARA BOBBY

PRAYERS FOR BOBBY

Realizador: Russell Mulcahv

Ano: 2009
Pais: EUA
Duração: 1:25 m

O recente caso mediático do violinista Tyler Clementi da Universidade Rutgers, um caloiro que cometeu suicídio após ter visto um relacionamento seu com outro homem, filmado com uma câmara oculta, colocado ao vivo na internet, é um dos muitos casos que tem terminado da pior forma no que respeita a abordagem da homossexualidade nos dias de hoje por parte da sociedade, quer descriminando-a, não aceitando-a ou mesmo hostilizando quem a pratica. Este filme é um desses casos.

Quem já tenha visto o filme “Latter Days”, a história de um jovem mórmon com tendências homossexuais obrigado a lidar com as suas convicções religiosas e com o que de facto sente em relação à sua sexualidade, encontrará neste “Orações para Bobby” alguns temas em comum, todavia explorados de forma intensamente dramática que não perdoam algumas lágrimas a quem o veja. Aliás já o mesmo acontecia com o “Latter Days”, mas sem os convencionalismos dos “Beautiful Boys” que persistem nos filmes mais actuais e que de certa forma retiram a primazia do argumento em função de mercantilismo de corpos que só por si permitem garantir a sua colocação no mercado cinematográfico, não obstante o “Latter Days” ser um filme bem conseguido e contar com a tímida presença do actor Joseph Gordon-Levitt do fabuloso filme “Mysterious Skin”. Também com o filme “Rock Haven” tem algumas semelhanças no que diz respeito às questões religiosas mas distancia-se bastante quanto à qualidade do argumento. “Orações a Bobby” é um filme bastante cru, duro e hipernaturalista, não só quanto à fotografia do filme, mas também quanto aos sentimentos que o realizador conseguiu despoletar nos actores.

Baseado numa história verídica e partindo do livro do jornalista Leroy Aarons, fundador do “National Lesbian and Gay Journalists Association”, conta com um surpreendente desempenho da parte da actriz Sigourney Weaver e pelo qual foi premiada. Não se trata de um filme com um final feliz, mas mostra que depois de um final infeliz pode haver um recomeço, mesmo que ele seja duro, angustiado e cheio de culpas nas questões sociais e religiosas quanto à homossexualidade.

Não me querendo alongar muito no texto, e já que referi alguns pontos comuns entre filmes, não resisto a partilhar mais um que pode constituir-se como um momento de reflexão: A atracção que o mundo homossexual, ou os realizadores, nutrem por pontes, associando-as amiúde das vezes a momentos trágicos ou de pura introspecção ou catarse. Quem já tenha visto o L.I.E de Michael Cuesta, não deixará de associar neste filme, ambas as cenas que se passam numa ponte. Poderá existir algum sentido metafórico cinematográfico na eleição deste elemento, ou constituirá mesmo uma expressão do foro psicológico relacionado com a condição do homossexual que tenta construir, por assim dizer, uma "ponte" entre o seu mundo secreto e o real, tão notório neste filme que agora apresentamos?
Um filme a não perder e se ainda tem dúvidas quanto a isso convido o leitor a ver o primeiro minuto do filme, onde à semelhança do “Priscilla - A Rainha do Deserto” a canção profetiza um grande filme.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

ANTES QUE ANOITEÇA

BEFORE NIGHT FALLS
Realizador:Julian Schnabel
Ano:2000
País:USA
Duração:133 min

Este filme proporcionou a primeira Nomeação para Óscar (Melhor Actor) ao espanhol Javier Bardem. Vencedor no Festival de Veneza, também na Categoria de Melhor Actor, conta com a participação de Sean Penn e Jonnhy Depp, este último transvestido.
Este drama biográfico retrata a história de Reynaldo Arenas (1943-1990), escritor cubano que viveu intensamente – ainda que diferentemente – a mais marcante revolução política do seu país. Reynaldo Arenas foi um dos homens que, através da escrita, se opôs ao regime. Homossexual assumido e “provocador” na sua forma de escrever, Arenas rapidamente se tornou num alvo a abater pelo governo de Fidel Castro. Desde a passagem pela prisão, a censura dos seus escritos, até à sua fuga de Cuba, num objecto (câmara de ar) que haveria de ficar imortalizado como «jangada da vida», esta obra relata a vida de um homem incessantemente perseguido e debruça-se sobre os problemas de uma sociedade que, dizendo-se igualitária, recriminava e punia toda e qualquer diferença de ordem artística, sexual ou cultural.
Tendo como pano de fundo a situação política de Havana, a película debruça-se abertamente sobre a questão da homossexualidade e a forma como esta, ontem como hoje, é mal aceite pelas sociedades. Mais que um filme, Antes que Anoiteça é um retrato histórico de um país mergulhado – até aos nossos dias – em contradições e equívocos.
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